terça-feira, 11 de novembro de 2008

Economista Chefe do Banco Mundial para Africa e o puzzle mocambicano (1)

Shanta (nick de Shantayanan Devaranjan) esta intrigado como se se explica um crescimento economico mocambicano prolongado, medido pelo tx. cresc. do PIB de cerca de 8% nos ultimos 10 anos (ou mais) se tem mantido se o sistema financeiro esta ainda longe de ser acessivel pela maior parte dos agentes economicos locais, como se reporta em varias pesquisas crediveis levadas a cabo no pais.

Isto leva imediatamente a questao de quais as fontes principais do crescimento do PIB em Mocambique. 2-3 pontos percentuais, dos 7-8% de tx. cresc. PIB sao devidas aos mega-projectos, ficando o restante crescimento, de cerca de 5%, explicada por outros factores.

Ja se identificaram os principais factores que pesam em atingir essa taxa de crescimento:

1- A baixissima base de partida. O PIB no inicio do periodo de paz andava a volta dos 100US$ per capita. Crecer 5% significava aumentar 5USD ao percapita annual, incluindo no calculo da media os mega-projectos (temos que deduzir a taxa de crescimento populacional, de cerca de 2.4% anuais entao), ou apenas 2.5% sem a inclusao mencionada.

2- Os mega projectos respondem por cerca de um terco das taxas de crescimento do PIB. Sabemos ja que os efeitos dos mega-projectos no resto da economia e sociedade tem sido minimos (alguns efeitos na construcao durante os periodos deinstalacao, por exemplo podem ser citados, mas pouco mais), por varios motivos - negociacoes deficientes, que impactou nao so em aspectos fiscais (concessoes assimetricas aos mega vs. pme) e nos retornos de factores nacionais (factor terra, trabalho, por exemplo), mas a prevalencia de outras deficiencias, ou melhor mesmo ausencias, de estrategias de ligacoes mais ou menos mandatadas, sem entrar na micro-gestao, dos mega projectos com as PMMEs, fraqueza do empreendodorismo nacional, historicamente reprimido desde o periodo colonial ate ao advento da nova constituicao do fim da decada de 90, etc.

3- A agricultura tambem contribuiu para as txs. de cresc., mas predominantemente pelo aumento das extensoes cultivadas, por razao do estabelecimento da paz e, em segundo lugar, pelas taxas de crescimento populacionais, num contexto de (muito) limitado acrescimo de postos de trabalho nas zonas urbanas. Nao foi por inovacoes tecnicas ou tecnologicas, por melhoramentos significativos das redes e sistemas de comercializacao, ou por melhor acesso a insumos e (micro-)credito, etc, que poderiam er tido impacto na melhoria da qualidade de vida dos produtores em causa.

4- Nao muito citados, mas de varias maneiras documentada a existencia do fenomeno causador, sao os efeitos de branqueamento de parte dos capitais e valores derivados de acrtividades ilicitas e ilegais - economia da droga, comisssoes da grande corrupcao, etc. A aplicacao de alguns destes valores em bens de consumo conspicuos, projectos de show-off, em certos casos a sua aplicacao em actividades comerciais e economicas levaram em certas zonas (norte, parte de maputo) a alguns efeitos com certa dinamica, que pode ser de curta duracao se se mantiver, em se mantendo, no tipos de actividade com efeitos pouco multiplicadores.


Entao para o economista chefe Shanta, o puzzle esta em o crescimento se ter mantido sem haver um sistema financeiro funcional e efectivo. Tentaremos nas proximas partes analisar detalhadamente a natureza do puzzle economico mocambicano - sera que os termos em que o puzzle esta formulado corresponde a realidade que ele pretende questionar, quais os aspectos que precisamos de ter em conta para analizar a problematica subjacente, e tentar chegar a algumas conclusoes sobre o assunto.

Ate breve (espero! - depois de amanha vou a uma conferencia regional organizada pela OSISA sobre impactos da crrise financeira global na Africa, e em particular na Africa Austral, depois na semana de 24 de Novembro volto a Nampula para a assessoria ao Plano Estrategico da Provincia de Nampula ate 2020) para contribuir para este debate, que nao e original - mas que e sempre importante, nao porque levantado agora por alguem que faz parte da instituicao de que faz parte, mas por merito proprio.

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