terça-feira, 4 de março de 2008

Mocambique e Integracão Regional: Esta Integração não será antes um Alargamento da SACU?

Em entrevista ao Jornal Notícias, publicada a 4 de Marco, 2006, defendi uma postura cautelosa em relacão à forma como está sendo concebida a Integracão Regional na SADC. Leiam-se a seguir algumas partes:

"Integração não será alargamento da SACU? - Questiona Dipac Jaiantilal, economista"

CASO a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral não tome a sério a questão da integração regional, o que passa pela criação de condições básicas para o seu desenvolvimento, os seus membros correm o risco de desenvolver a mesma dependência passada aos países da SACU, em relação à África do Sul. Quem assim o diz é o Prof. Doutor Dipac Jaiantilal que também defende que não se pode confundir a SADC com a liberalização comercial.

No seu entender é preciso se ter em conta que os interessados na liberalização de que se fala agora estão reduzidos à comunidade da SACU que tem a África do Sul mais o Lesoto, Botsuana, Suazilândia e Namíbia. “Portanto está se a tentar expandir esta união aduaneira atraindo mais candidatos e o primeiro aqui seria Moçambique”.

Recorda que quando o presidente do Banco de Reserva da África do Sul, Titos Mboene esteve em Moçambique, no ano passado, tentou lançar o debate sobre a área monetária e disse que a fórmula viável era que os países como Moçambique se juntassem a aquilo que é a área da SACU.

Dipac Jaiantilal entende que essa discussão pouco se tem feito e “nós vemos que 2008 está próximo, mas é preciso compreendermos que este processo é feito por etapas e temos que entender se será realista nós fazermos uma união aduaneira em 2010 e depois termos um banco central comum e criarmos uma moeda única anos depois”.

Para a fonte, não tem havido grandes discussões, mas a verdade é que a África do Sul está a tentar fazer o alargamento da SACU e da zona monetária do rand pelo que questiona: será que é isto que interessa Moçambique. Será que a sequência que era defendida pela Linha da Frente não é importante?.

Ele prossegue dizendo que a via sensata era criar-se as bases de desenvolvimento interno para depois nos expormos, porque, “os nossos documentos internos” são de criar um Moçambique desenvolvido daí que temos que ter cuidado quando pomos o comércio internacional a frente das condições básicas para o desenvolvimento.

Aquele macro-economista também alerta para o facto de a história mostrar que através da SACU, a África do Sul conseguiu “minar” a industrialização dos países a ele integrados tendo para isso conservado as maiores vantagens deste mercado, desde as melhores infra-estruturas dentro do seu território, c/ligações para mercados, uma base industrial inicial, adquirida em condições altamente proteccionistas, que permitiu ser uma fonte de difusão inovação de tecnologias.

Acrescenta que a visão da SADCC quando ela foi criada era uma perspectiva desenvolvimentista no verdadeiro sentido da palavra. Entendia-se que o comércio não gere de imediato o desenvolvimento. Ele pode ser uma componente importante, mas é necessário, numa primeira fase, criar as bases mínimas para que os países possam negociar e criar vantagens para crescer.

Esta é que, segundo Jaiantilal, era a perspectiva inicial dos países da linha da frente que queriam que as suas economias reduzissem a dependência em relação a África do Sul.

Mesmo assim, o Professor entende que começa a haver uma reflexão séria nalguns países e exemplo disso é que Angola acaba de anunciar que não iria se integrar neste processo porque precisa de tempo.

“Para mim isso é muito sensato e os outros países da região como a Tanzania optaram por integrarem outros blocos do seu nível de modo a ganhar mais tempo. A Zâmbia está na COMESA, portanto, são países que sentem logo a partida que não precisam de se expor dramaticamente a uma situação dessas”.

Nenhum comentário: